A crise energética exige uma transição resiliente, justa e próxima das pessoas
O Dia Mundial da Energia, celebrado a 29 de maio, surge este ano num contexto particularmente desafiante. A instabilidade geopolítica no Médio Oriente, as perturbações no Estreito de Ormuz e a volatilidade dos mercados internacionais vieram recordar uma realidade incontornável: a energia continua a ser um dos pilares centrais da estabilidade económica, social e ambiental das sociedades modernas.
Da eletricidade que alimenta hospitais e escolas, aos combustíveis que asseguram a mobilidade de pessoas e mercadorias, passando pelo aquecimento, refrigeração, água potável e comunicações, praticamente tudo depende da disponibilidade de energia acessível, segura e sustentável.
Hoje, mais do que nunca, a segurança energética deixou de ser apenas uma questão técnica ou económica. Tornou-se uma questão de soberania, coesão social e resiliência coletiva.
Uma crise energética global com impacto direto em Portugal
Nas últimas semanas, a crise energética reflete-se na conjugação de vários fatores: conflitos internacionais, instabilidade no abastecimento mundial de petróleo e gás natural e a forte dependência europeia de combustíveis fósseis importados. O impacto já se faz sentir de forma significativa no dia a dia das famílias e das empresas.
Os efeitos da crise energética são particularmente visíveis nos combustíveis, com os preços do gasóleo e da gasolina a aproximarem-se dos 2 euros por litro após o agravamento do conflito no Médio Oriente. Esta subida está a pressionar a inflação e a aumentar os custos suportados pelas famílias e pelas empresas.
Apesar do reforço das energias renováveis em Portugal, o país mantém uma elevada vulnerabilidade energética, sobretudo devido à dependência externa nos transportes, na indústria e em diversos consumos térmicos.
Perante este cenário, a Comissão Europeia já alertou para possíveis constrangimentos no abastecimento energético e apelou à adoção de medidas de redução da procura, especialmente no setor dos transportes. Também a Agência Internacional de Energia recomenda ações imediatas, como o reforço do teletrabalho, a redução de deslocações não essenciais e uma maior aposta na eficiência energética.
O papel dos consumidores na transição energética
Num contexto de crescente instabilidade energética e aumento dos custos da energia, os consumidores assumem um papel cada vez mais importante na construção de um sistema energético mais resiliente, eficiente e sustentável.
As escolhas do dia a dia, desde a gestão dos consumos até à forma como nos deslocamos ou utilizamos os equipamentos domésticos, têm impacto direto não apenas na fatura energética, mas também na redução da dependência de combustíveis fósseis.
A atual crise energética demonstra que a dependência de combustíveis fósseis continua a representar um risco económico, social e geopolítico. Por isso, acelerar a eletrificação, reforçar as energias renováveis e promover uma utilização mais eficiente dos recursos tornou-se uma prioridade estratégica para Portugal e para a União Europeia.
Fazer frente à Crise Energética
Mas enquanto essa transformação estrutural avança, existem medidas simples e práticas que os consumidores podem adotar desde já para reduzir consumos:
1. Rever o contrato de eletricidade
Comparar comercializadores e ajustar a potência contratada pode gerar poupanças significativas na fatura mensal.
Mudar de comercializador, caso encontrem um preço de energia mais vantajoso
Dar preferência a contratos com preço fixo, ao invés de contratos com tarifa indexada ao mercado grossista, que estarão mais expostos à volatilidade dos preços;
Ter em atenção, no momento da contratação, a existência de serviços associados (como serviços de assistência técnica, seguros) caso não pretendam ter esse custo extra
2. Ajustar a climatização
- Inverno: manter temperaturas entre 18 ºC e 19 ºC;
- Verão: utilizar 25 ºC a 26 ºC.
Cada grau fora destes intervalos pode aumentar o consumo em cerca de 4%.
3. Melhorar a eficiência energética de sistemas de aquecimento assentes em soluções fósseis (caldeiras a gás, aquecimento central a gasóleo)
- Instalar painéis refletores atrás dos radiadores - ajudam a refletir o calor para o interior da divisão, evitando perdas através das paredes
- melhorar o isolamento da habitação - Fechar estores, utilizar cortinas térmicas e aplicar vedantes simples em portas e janelas ajuda a reduzir perdas de calor e frio.
4. Reduzir consumos em standby
Televisões, boxes, consolas e computadores continuam a consumir energia mesmo desligados. O standby pode representar até 10% da fatura.
5. Aproveitar a luz natural
Maximizar a entrada de luz natural reduz o consumo de iluminação artificial.
6. Utilizar eletrodomésticos de forma eficiente
- Usar máquinas de roupa e loiça apenas com carga completa;
- privilegiar programas ECO;
- evitar secadoras sempre que possível.
7. Reduzir tempo de confeção de refeições e poupar energia
- Cozinhar com tampa nas panelas para reduzir o tempo de utilização
- Utilize panelas com um diâmetro correspondente ao tamanho da boca do fogão
- cortar os ingredientes em pedaços menores e uniformes reduz o tempo que precisam para ficarem prontos
- Assim que a água começa a ferver reduza a intensidade do bico do fogão
8. Controlar o consumo de água quente
A água quente sanitária representa uma parcela importante do consumo doméstico:
- duches mais curtos;
- esquentadores regulados entre 38 ºC e 40 ºC;
- termoacumuladores entre 45 ºC e 50 ºC.
9. Reduzir o consumo de combustível dos veículos
- Organizar as viagens – juntar várias tarefas numa só viagem;
- Manter uma velocidade estável
- Evitar peso desnecessário – transportar carga excessiva aumenta o consumo
10. Reduzir deslocações desnecessárias
Sempre que possível:
- Utilizar transportes públicos;
- Optar por mobilidade ativa;
- Partilhar viaturas;
- Recorrer ao teletrabalho.
11. Seguir informação oficial
Em períodos de instabilidade energética, é essencial acompanhar apenas fontes oficiais e evitar desinformação.