O STEP-UP une jovens, especialistas e decisores para combater a pobreza energética entre estudantes universitários, promovendo conhecimento, capacitação e soluções mais justas para um futuro energético inclusivo. Consulte abaixo todas etapas!
Desde fevereiro de 2026, a DECO participa no projeto STEP-UP:Student Energy Poverty - Uniting for Progress, que tem como objetivo combater a pobreza energética entre estudantes do ensino superior.
A pobreza energética é uma realidade crescente na União Europeia, afetando de forma particular os jovens, nomeadamente estudantes do ensino superior, que muitas vezes permanecem fora dos mecanismos tradicionais de apoio. Esta situação é especialmente evidente em contextos urbanos, onde o acesso à habitação é mais difícil e as condições de eficiência energética são frequentemente inadequadas.
O projeto STEP-UP surge como uma resposta a estes desafios, focando-se especificamente em estudantes do ensino superior com idades entre os 18 e os 25 anos, que enfrentam simultaneamente dificuldades económicas, energéticas e habitacionais. Muitos destes estudantes vivem em alojamentos com fraco desempenho energético, estando expostos a condições de frio, calor excessivo, humidade e bolor, com impactos diretos no seu bem-estar, saúde e sucesso académico.
Através de uma abordagem integrada que combina investigação, formação e participação cívica, o projeto visa reforçar o conhecimento e a capacitação dos jovens nesta área. Uma das suas componentes centrais consiste na formação de jovens profissionais para se tornarem Mentores de Energia, recorrendo a metodologias de aprendizagens ativas e interativas. Estes mentores irão apoiar os seus pares, promover boas práticas e contribuir para o desenvolvimento de soluções inovadoras.
Paralelamente, os estudantes serão envolvidos em Workshops, Assembleias Coletivas e momentos de Diálogo com Decisores Políticos, criando espaços de partilha de experiências e participação ativa na definição de soluções. O projeto inclui ainda uma componente de investigação nos países parceiros, Portugal, Itália, Grécia e França, bem como a realização de uma formação internacional em Roma, em novembro de 2026.
Ao dar visibilidade a uma realidade frequentemente esquecida, o STEP-UP contribui para o reforço da inclusão social, para o empoderamento dos jovens e para o desenvolvimento de políticas energéticas mais justas e adaptadas às suas necessidades.
A DECO desenvolve este projeto juntamente com a Assoutenti (Itália), a Idee in Fuga (Itália), a 4C (Grécia) e a Virage Énergie (França), financiado pelo Programa “Cidadãos, Igualdade, Valores e Direitos” (CERV) da Comissão Europeia.
Financiado pela União Europeia. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente as da União Europeia ou da Agência Executiva Europeia para a Educação e a Cultura (EACEA). Nem a União Europeia nem a EACEA podem ser responsabilizadas pelas mesmas.
A pobreza energética e a crise da habitação afetam de forma crescente os estudantes universitários, sobretudo os estudantes deslocados, que enfrentam rendas elevadas, habitações de baixa qualidade e custos energéticos cada vez mais elevados. Apesar desta realidade, os estudantes raramente são reconhecidos como um grupo vulnerável nas políticas de combate à pobreza energética.
O relatório STEP UP – Student Energy Poverty: Uniting for Progress analisa esta problemática em Portugal, Itália, França e Grécia, recorrendo à análise de políticas nacionais, à consulta de especialistas e a um inquérito realizado a 174 estudantes. Os resultados mostram que os estudantes ficam frequentemente excluídos dos apoios existentes devido a critérios relacionados com contratos de energia, situação fiscal, rendimentos ou propriedade da habitação.
O estudo revela ainda que a pobreza energética entre estudantes se manifesta sobretudo através da redução do consumo de energia para controlar despesas, comprometendo o conforto térmico e o bem-estar. Entre 80% e 90% dos inquiridos afirmaram limitar o uso de energia devido aos custos.
Com base nestas conclusões, o relatório recomenda o reforço dos apoios financeiros, a melhoria da eficiência energética e das condições do alojamento estudantil, bem como o reconhecimento formal dos estudantes como grupo vulnerável. Defende ainda uma melhor recolha de dados e o desenvolvimento de ações de informação e capacitação que contribuam para combater a pobreza energética neste grupo.
Pode consultar em: https://www.step-up-project.eu/
O evento online teve como objetivo apresentar o projeto europeu STEP-UP, divulgar os resultados obtidos na sua fase inicial de implementação e mobilizar novos parceiros e públicos para uma ação concertada no combate à pobreza energética entre estudantes do ensino superior. A iniciativa reuniu estudantes, representantes de universidades, organizações da área da energia, entidades públicas e sociedade civil, proporcionando um espaço de sensibilização, partilha de conhecimento e discussão sobre os desafios enfrentados pelos jovens no acesso a condições energéticas adequadas.
Durante o evento foram apresentados os resultados preliminares do levantamento realizado junto dos estudantes portugueses (40 respostas obtidas, 174 no total do consórcio) os quais evidenciaram níveis significativos de vulnerabilidade económica e energética. Os dados recolhidos demonstraram que 85% dos estudantes reduzem o consumo energético para controlar despesas, 20% vivem em habitações sem qualquer sistema de aquecimento e 45% já adiaram ou evitaram o pagamento de faturas de energia devido aos custos associados. Em matéria de conforto térmico, 77,5% dos participantes classificaram as suas condições habitacionais durante o inverno como desconfortáveis ou muito desconfortáveis, revelando o impacto que a pobreza energética tem no seu bem-estar, saúde e qualidade de vida.
O evento integrou ainda momentos de participação dinâmica que permitiram aferir o nível de conhecimento dos participantes sobre o projeto e sobre o fenómeno da pobreza energética entre estudantes. Os resultados demonstraram que o STEP-UP continua a ter um elevado potencial de divulgação, uma vez que a maioria dos participantes indicou não conhecer previamente o projeto. Relativamente ao tema da pobreza energética, verificou-se uma diversidade de níveis de conhecimento, predominando as respostas que indicavam um conhecimento moderado ou reduzido, o que reforça a necessidade de continuar a investir em ações de sensibilização, informação e capacitação.
O programa contou ainda com a participação de quatro oradores convidados, que contribuíram para enriquecer o debate através de diferentes perspetivas e experiências.
A sessão contou com a intervenção de Jorge Barata Marques, Diretor da Direção de Formação, Informação e Educação da ADENE, que apresentou uma visão sobre o panorama nacional da pobreza energética e destacou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na sensibilização e capacitação dos jovens para esta temática.
Seguiu-se Inês Valente, investigadora do CENSE NOVA-FCT, cuja investigação se centra na vulnerabilidade de crianças e jovens à pobreza energética, tendo partilhado resultados recentes e reflexões sobre a realidade vivida pelos estudantes universitários.
Seguiu-se Inês Valente, investigadora do CENSE NOVA-FCT, cuja investigação se centra na vulnerabilidade de crianças e jovens à pobreza energética, tendo partilhado resultados recentes e reflexões sobre a realidade vivida pelos estudantes universitários.
Por fim, Susana Camacho, da S.ENERGIA, apresentou o projeto EduLUX 2.3+ e outras iniciativas de proximidade, demonstrando como os projetos de eficiência energética podem contribuir para reduzir consumos, melhorar o conforto dos edifícios e envolver as comunidades educativas na construção de soluções sustentáveis.
No âmbito da discussão participativa, os participantes identificaram diversas medidas que poderão contribuir para combater a pobreza energética entre estudantes. Entre as principais propostas destacaram-se o reforço dos programas de educação e sensibilização sobre o tema, a disponibilização de mais informação sobre apoios e mecanismos de financiamento existentes, a criação de apoios financeiros direcionados aos estudantes, o aumento da oferta de residências universitárias energeticamente eficientes e reabilitadas, a promoção da participação em projetos nacionais e europeus e o desenvolvimento de estratégias simples e acessíveis para melhorar o isolamento térmico das habitações. O conhecimento, a literacia energética e o acesso à informação surgiram como elementos transversais e fundamentais para aumentar a capacidade de resposta dos estudantes perante esta problemática.
Sob o mote “Das Ideias à Ação”, o evento procurou evidenciar que já existem conhecimento, projetos, entidades e boas práticas dedicadas à mitigação da pobreza energética. O desafio passa agora por transformar esse conhecimento em intervenções concretas, próximas e adaptadas à realidade dos estudantes do ensino superior, um público muitas vezes difícil de alcançar, mas particularmente vulnerável às consequências da pobreza energética.